Agradecimentos e lamentações
Encontrado um jeito de parar de amolar as pessoas, afinal, ninguém é obrigado a ouvir as lamentações e desgostos de ninguém: providencie os baús!! Um baú azul e um baú rosa. Um verde e um laranja. Um roxo e um cinza. da cor que você quiser, desde que sejam diferentes.
Um para agradecimentos (que seja o maior), e um para lamentações. Em pedaços de papel reciclado (que é mais bonito), escrever as lamentações do dia, que pode ser até aquele tropeção nas obras da calçada da Av. Paulista que furou o all star laranja (ai que ódio!). Depositar no baú pequeno e esquecer de uma vez isso. Nem mais um pio sobre o assunto! Afinal, tudo acontece porque deveria acontecer.
No maior, mais bonito e colorido, também escrever em pedaço de papel reciclado as coisas boas do dia e antes de dormir, ao acordar, no tempo livre, na hora que for, ler, reler, reler, reler e sempre agradecer. Pode ser até aquele sorriso que uma criança lhe direcionou de manhã. O mais simples é o mais tocante.
Meus baús estão ativos. O pequeno, sem vida, xoxo, está com a reclamação do tropeção. O grande, lindo, potencial e colorido, com a experiência fascinante que pude vivenciar com as danças circulares. O que você vai escrever pros seus baús? Indifere, desde que aprenda a usá-los corretamente...
Danças Circulares. Dançar de mãos dadas gera uma energia sem igual. Ignora cor, tamanho, classe, ritmo, sexo, religião, caráter. É impressionante e pronto. É fascinante e ponto. E todo mundo deveria ter a oportunidade de experimentar... de quartas e sextas, até 29/02, 19h30 às 21h00 no Sesc Santana isso será possível. Caso haja incompatibilidade de horários, procure as danças aos docmingos às 10h00, nos parques da cidade. Luz, Água Branca, Ibirapuera e Trianon recebem a ciranda com amor, alegria e solidariedade... Se dê esse presente e comece seu baú de agradecimentos com o pé direito!!
Escrito por Mariana às 18h52
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Fidel na Av. Paulista, no dia em que renunciou
Eis que Fidel renunciou... quantas surpresas nesse ano que estamos hã? Sai um de 81 pra entrar um de 76... ô meu Deus, o que o mundo deve aguardar???
Sei que, em homenagem, por coincidência ou qualquer coisa do tipo, ontem tive o prazer de conhecer um cinema de SP, o GEMINI, assistindo o filme A CULPA É DO FIDEL. Ambientado na década de 70, o caos é mostrado através da visão de uma garotinha de 9 anos, cujos pais se tornam comunistas depois de um atentado (político) ter matado o cunhado.
Acostumada com uma vida 'comum', com reuniões familiares aos domingos, escola de freiras, com ensino rígido e religioso e uma casa confortabílissima, com um imenso jardim, ANNA se ve obrigada, pelas novas convicções de seus pais, a se mudar para um apartamento pequeno, abrir mão dos costumes e lidar com a relutância das amigas da escola, uma vez que insistindo em continuar no colégio religioso, deve abandonar as aulas que mais gostava: catecismo. ANNA é esperta e atenta. Sua sorte é ter pais abertos à comunicação, mas isso não significa que ela atende às expectativas dos mesmos. Se revolta, apesar de amá-los, e tenta entender tudo o que acontece ao seu redor. E não é fácil.
Comovente, criativo, sensível e adorável. A Culpa é do Fidel superou as expectativas que eu já alimentava. Indicação extraordinária. Adoro filmes políticos e ter a opção de ver um que não caia na redundante questão das guerras, é fascinante.
O filme, em SP, está em cartaz no Gemini e no Cine Arte Lilian Lemmertz. Mas o Gemini tem vantagens. Além de ser super aconchegante, fica na Av. Paulista (totalmente acessível), não é dos mais caros e está com uma promoção imperdível: podemos comprar ate 2 ingressos antecipados (por pessoa), pagando apenas R$ 4,00, para qualquer sessão e dia da semana. São válidos por 30 dias. R$ 4,00 é mais barato que muita meia-entrada por aí... melhor aproveitar... e também tem uma cortesia na bomboniere: balinha de goma ou paçoca, fica a seu critério!
Escrito por Mariana às 09h25
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Santa (ou maldita?) Ignorância
Quando eu era pequena, eu tinha a família perfeita: sem problemas financeiros, pais casados e felizes, amigos que julgava ser sinceros e divertidos e aos fins de semana, íamos ao clube. Melhor que isso? Pra mim, não havia.
A biblioteca era o meu segundo lugar favorito no clube (o primeiro era a piscina, rs). Lá, aprendi letras, histórias e fantasias. No carnaval, desfilava no bloco do clube e nossa, quantos amigos eu tinha, mas eram todos da mesma cor: brancos. Mas quando tomavam muito sol, eram rosados. Nunca me perguntei se existiam cores e tipos diferentes, afinal, meu mundo se resumia ao clube.
Um pouco mais crescida e com a curiosidade aguçada, notei que o treinador do time de futebol era de outra cor. Linda, lustrosa, radiante e completamente o oposto do que eu conhecia: era negro. Percebendo que era o único, questionei papai a respeito que me informou que nosso clube era judeu e não aceitavam negros lá. Perguntei o porque, e ele não soube (ou me poupou) responder.
Vivendo e aprendendo, notei que era uma atitude preconceituosa. E desde então, eu levantei uma bandeira contra o preconceito de todo e qualquer tipo. Meu sonho? Ter um filho de cada cor e cada jeito, pra aprender as diferenças desde cedo... Um mundo em que sejamos julgados pelas atitudes, não pelo gosto pessoal ou cor de pele.
Essa semana algo me fez relembrar a infância e o clube judeu: Fui ao centro da cultura judaica para conferir o filme (ótimo), As Leis de Família. Para passar o tempo, fui ver exposição fotográfica de povo judeu. Qual não foi a minha surpresa ao ver expostas fotos de judeus negros!! Quase caí pra trás. Poxa, se existem judeus negros porque a discriminação no clube? Judaísmo é uma religião e como tal, existem sim os seus defensores e julgadores. O que me chamou mais atenção, é ver gente pobre dessa religião! Até então eu tinha a visão de brancos ricos, e vi negros e brancos pobres... chocante!
Senti a ignorância me habitar e notei que nada conhecia sobre o mundo... apesar de sempre sair, curtir e me alimentar de cultura, a história é o meio mais fascinante de conhecer o que quer que seja... resolvi, então, estudar. Mas à minha maneira. Não farei faculdade ainda, falta grana e não sei o que seguir... mas vou dividir meu tempo livre em passeios e estudar povos, culturas, religiões e mais coisas do gênero. Não quero mais ser chocada com situações assim, constrangedoras...
Serviço: www.culturajudaica.org.br
Escrito por Mariana às 12h35
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